Copa do Mundo 2026
EUA · México · Canadá · 48 seleções · 980 figurinhas
Dentro da fábrica que produz 11 milhões de figurinhas por dia pra Copa 2026
Reportagem na fábrica em Barueri revela como o álbum oficial da Copa 2026 é produzido: 11 milhões de figurinhas por dia, embaralhamento automático, papel metalizado e a matemática que diz que é mais fácil ganhar na Mega Sena.
Onze milhões. É o número de figurinhas que saem todos os dias da fábrica em Barueri, na Grande São Paulo, durante o pico de produção do álbum oficial da Copa do Mundo 2026. Pra dimensionar: dá uma figurinha pra cada habitante de Portugal — todo dia, durante meses. E o ritmo é esse pra dar conta da demanda do Brasil e de toda a América Latina, que recebe a coleção a partir desse mesmo galpão paulista.
A reportagem da CNN Brasil teve acesso à linha de produção e mostrou de perto como funciona uma das fábricas mais movimentadas do país durante temporada de Mundial. Tem números, processos e detalhes que pouca gente sabe — mesmo quem coleciona faz décadas.
O processo começa três anos antes
O CEO da empresa responsável pela coleção, Raul Vallecillo, explicou à reportagem que o trabalho do álbum começa "pelo menos três anos antes" da Copa. Não é figura de linguagem: a edição de 2026 começou a ser desenhada em 2023, ainda durante a Copa de 2022.
O processo passa por três etapas distintas:
- Editorial: definição do conceito visual do álbum, capa, páginas especiais, série FIFA World Cup History, mascotes, escudos
- Seleção esportiva: escolha dos jogadores que vão representar cada uma das 48 seleções classificadas — feita meses antes da impressão começar, baseada em forma recente e perfil
- Operacional: impressão, corte, embaralhamento, empacotamento e distribuição
É essa janela de planejamento longo que explica algumas decisões polêmicas — como a ausência de Neymar e a presença de Rodrygo e Éder Militão (que provavelmente não vão jogar a Copa por causa de lesão). O recorte foi fechado antes do desfecho da temporada.
Como é feita a impressão
O coração da operação fica em Barueri. As figurinhas saem em folhas grandes, com dezenas de cromos por folha, depois passam por máquinas de corte que separam uma a uma. O detalhe técnico mais importante: antes de irem pros pacotinhos, as figurinhas passam por máquinas de embaralhamento que distribuem aleatoriamente os cromos.
O objetivo é específico: evitar que duas figurinhas iguais caiam no mesmo pacotinho de 7. É por isso que, em condições normais, você nunca abre um envelope e tira o mesmo jogador duas vezes — o sistema é desenhado pra isso. Repetidas só aparecem entre pacotinhos diferentes.
Depois do embaralhamento, as figurinhas são seladas dentro dos envelopes em uma linha automatizada. O acabamento muda conforme o destino:
- Pacotinhos brasileiros: envelope de tom branco
- Pacotinhos pra América Latina: envelope de tom prateado
É detalhe pequeno, mas serve pra distribuidores e bancas identificarem rápido qual mercado o lote atende.
Os 68 cromos especiais — e por que dão tanto trabalho
Dos 980 cromos totais do álbum, 68 são especiais — e a maioria deles é impressa em papel metalizado, que dá aquele efeito brilhante (dourado, prateado, holográfico) bastante visado pelos colecionadores.
O papel metalizado tem fluxo de produção diferente do papel comum. Não roda nas mesmas máquinas em alguns dos processos de impressão, exige tinta específica e checagem de qualidade mais rígida. É por isso que cromos metalizados costumam aparecer com menos frequência nos pacotinhos — não porque "saem menos" intencionalmente (a raridade oficial é "comum"), mas porque o ritmo de produção dessas folhas é menor.
A matemática que assusta
Durante a reportagem, surgiu uma curiosidade que viralizou nas redes: segundo matemáticos, é mais fácil ganhar na Mega Sena do que completar o álbum sem encontrar nenhuma figurinha repetida.
O cálculo simplificado funciona assim: você precisa de 980 figurinhas únicas. Se cada pacotinho traz 7 cromos sorteados aleatoriamente, a probabilidade de abrir 140 pacotinhos seguidos sem nenhuma repetida é tão pequena que beira o impossível. Pra ter referência: a chance de acertar 6 dezenas na Mega Sena é de 1 em 50.063.860. A chance de fechar o álbum sem repetidas é várias ordens de grandeza menor.
É exatamente por isso que a estratégia real do álbum não é abrir pacote — é trocar repetidas com outros colecionadores. E foi isso que transformou o álbum em um fenômeno cultural: ele te empurra pra interação. Vizinho, escola, banca, grupo de WhatsApp. Internet inclusive.
Distribuição: do galpão pra todo o continente
De Barueri, os pacotinhos vão pra todo o Brasil e também pra outros países da América Latina que recebem a coleção em português ou espanhol. Os principais canais de distribuição:
- Bancas de jornal — canal histórico, ainda majoritário em volume
- Lotéricas da Caixa — confirmadas como ponto oficial de venda em 2026
- Supermercados e atacarejos — Carrefour, Atacadão, Americanas
- Lojas Oxxo (mais de 600 unidades no Brasil)
- iFood — primeira vez em escala nacional, com entrega de 10 minutos
- McDonald's — Combo Figurinha com pacotinho exclusivo
- Caminhão da Panini — ação itinerante em algumas capitais
A logística é desafiadora: a fábrica precisa abastecer simultaneamente todos esses canais durante o pico de demanda dos primeiros 60 dias após o lançamento — período em que os 11 milhões/dia se justificam.
Quanto material a fábrica vai produzir até a Copa começar
Fazendo a conta simples: 11 milhões de figurinhas por dia, durante os meses de pico (estimando 90 dias de produção plena), dá cerca de 1 bilhão de figurinhas só pra essa temporada. Considerando que um álbum tem 980 cromos, é volume suficiente pra encher o equivalente a 1 milhão de álbuns completos — sem contar repetidas (que sempre são a maioria do volume aberto).
É essa escala que faz a operação valer a pena economicamente: poucos produtos no Brasil têm essa combinação de "todo mundo quer comprar de uma vez ao mesmo tempo" — e o álbum Copa do Mundo é um desses raros casos.
Onde o Clube da Copa entra
Bilhão de figurinhas saindo da fábrica significa milhões de colecionadores brasileiros abrindo pacotinhos ao mesmo tempo. E milhões de figurinhas repetidas circulando, cada uma sendo "a faltante" de outro colecionador. O desafio não é encontrar a figurinha — é encontrar a pessoa certa pra trocar.
É exatamente esse encontro que o Clube da Copa resolve. Você cadastra o que tem e o que falta, o sistema cruza com outros colecionadores e te mostra trocas potenciais. Quanto mais gente, melhor o algoritmo funciona. Crie sua conta gratuita e entre na rede de colecionadores que estão organizando a Copa fora da fábrica também.
11 milhões de figurinhas por dia saindo de Barueri. A pergunta não é mais "como eu encontro a figurinha?" — é "com quem eu troco?".
Aviso editorial: O Clube da Copa é uma plataforma independente de colecionadores e não é afiliado, associado, autorizado, endossado ou de qualquer forma oficialmente conectado a Panini, FIFA, McDonald's, iFood, Caixa Econômica Federal ou qualquer marca/entidade mencionada nesta matéria. Nomes, marcas, produtos e serviços pertencem aos seus respectivos detentores e são citados aqui apenas em caráter jornalístico/informativo, com base em fontes públicas (Lei 9.279/96, art. 132).
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